sexta-feira, 30 de julho de 2010

Bad wishes

Hoje ao conversar no MSN com um querido amigo, ele me propôs que fizéssemos a brincadeira dos 3 desejos. Tínhamos que escrever de uma vez 3 coisas que mais gostaríamos que acontecesse agora. Nossa, tão difícil dizer assim...

O meu maior desejo atualmente (a há uns 5 anos já) é que alguma fortuna caia no meu colo, ou no da minha mãe pra que a gente pare de ficar comendo capim nessa vida. Pode ser de qualquer jeito: via torpedão campeão, via megasena, via um tio rico e distante que bateu as botas e lembrou da gente no testamento, sei lá...

Mas hoje, especialmente eu queria sumir. Queria poder dizer pra todo mundo que estou com as malas prontas pra ir morar em algum lugar distante. O lugar distante pode ser Nova Friburgo, Belém do Pará, Buenos Aires, Cidade do México, Nova York, Berlim, Budapeste ou Tóquio. Qualquer lugar tá bom! Além de sumir eu queria também pirar, ficar loucona mesmo, de álcool, de beck, de coca, ou de ácido... Queria também ser bonita, inteligente e poder mandar todo mundo pra putaqueparil.

Ah, eu queria!



sábado, 24 de julho de 2010

Açúcar e merda

Depois de quase dois meses, finalmente terminei de ler Berlim Alexanderplatz. Não demorei tanto com a leitura por pura incompetência minha, mas porque resolvi le-lo justamente na época em que precisava escrever minha monografia, fato que atrasou bastante o processo. Pra quem nunca ouviu falar, Berlim Alexanderplatz é um clássico da literatura expressionista alemã, escrito por um médico, Alfred Doblin, que viveu de perto o cotidiano das classes pobres berlinenses durante a república de Weimar. O livro conta a história de Franz Bieberkopf, um verdadeiro fodido na vida, que ao sair da prisão depois de 4 anos de pena, resolve tentar viver com dignidade, sem muito sucesso.

Enfim, é uma história triste, que me fez refletir durante um tempo sobre certas questões. Mas o que mais me tocou, foi um diálogo ocorrido entre a Morte e Franz que acontece já bem no finalzinho da narrativa. Depois de tanto sofrer, a Morte vai finalmente buscar Franz e trava com ele uma longa conversa mostrando-o todas as burradas e injustiças que ele havia cometido durante sua vida, e repete para ele, demasiadamente, que a vida é feita de açúcar e merda.

Fiquei com isso martelando na minha cabeça e tendo a concordar estreitamente com a Morte de Doblin. É impressionante a capacidade que a vida tem de nos apresentar coisas tão maravilhosas e igualmente tão terríveis. Sabe, a minha vida não tem sido a das mais fáceis há um bom tempo. Parece que de repente Deus olhou pra mim e disse: Essa aí, junto com a mãe dela, tá precisando sofrer um pouquinho. Colocou a gente dentro de um mar revolto e a cada onda forte que chega e nos dá um caixote, nos recuperamos por alguns segundos e novamente vem uma outra onda, maior ainda...E assim a gente vai vivendo.
Apesar disso eu procuro ser feliz a maior parte do tempo. Tento deixar o mal humor de lado, esquecer da merda e aproveitar o açúcar. Sim, porque no meio de toda essa merda, não é difícil encontrar pedras de açúcar. A época mais "sofrida" da minha história, tem sido também a mais intensa, onde eu pude experimentar todo tipo de felicidade, da mais recatada a mais libertária...Experimento, gosto, experimento, sofro, experimento não gosto, não sofro, gosto e sofro. Sinto prazer ao comer pão com mortadela e manteiga, ao beber litros de cerveja com os amigos num bar sujo da Lapa. Vou ao cimena e me alegro ao saber que no mundo existem mentes tão incríveis capazes de criar um filme como Toy Story 3 ou O Segredo dos seus olhos...
As coisas que mais me atraem são também aquelas que mais me fazem sofrer, bem como aquilo que eu mais repudio e nego são aquelas que me possibilitam ter um porto seguro. Odeio trabalhar, amo o flamengo, amo e odeio o lugar que eu moro, amo alguém que não me ama, amo comer, não quero engordar, amo beber, odeio ressaca, amo gozar, odeio ser um objeto. Amo açúcar, odeio merda, amo merda, odeio açúcar. Açúcar e merda, açúcar e merda. A vida é feita de açúcar e merda....

Amo a vida com a mesma intensidade que a odeio. Desejo viver tanto quanto desejo morrer?Mentira! A vontade de viver é sempre maior. Sempre vou preferir a vida, mesmo que ela seja feita só de merda e a morte me mostre um caminho cheio de açúcar.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sem talento

Eu:

Não canto bem, não danço bem, engano no samba, sou uma vergonha no forró, não vou até o chão quando toca o pancadão.
Não escrevo bem, não sou uma boa acadêmica, não sou uma boa professora, meu C.R. é mediano, não falo espanhol, nem francês, nem alemão e meu inglês é capenga.
Não desenho direito, não tenho coordenação motora para pintar. Não sei bordar ou costurar, mal prego um botão. Aliás, acho que já me esqueci como se faz isso.
Não sei jogar volei direito, mal chuto uma bola, basquete nem pensar, tenis passo longe, engano no frescobol, não sei nadar krau ou borboleta. Correr no Maracanã pra não perder o início da partida me cansa.
Cozinhar, só o trivial. Limpo a casa que nem a minha cara. Passar roupa? Pior que a minha cara. Odeio lavar louça, mas de todas as tarefas domésticas é a que me saio menos pior.

Torço pro Flamengo, mas não sei a escalação do time de 81 de cabeça. No momento meu artista musical favorito é o Caetano Veloso, mas eu só tenho um disco dele. Amo White Stripes mas não fui no show que eles fizeram no Rio. As duas bandas que mais amei na vida acabaram com menos de 10 anos de carreira e hoje em dia eu cago e ando pras duas (mas pelo menos deles eu tenho a discografia completa).
Sou carioca, mas nunca fui num baile de comunidade, nunca fui na feijoada da Portela ou na quadra da Mangueira. Nunca fui à praia da Joatinga ou à Cachoeira do Horto, isso por baixo.

Me relaciono há 5 meses com um cara que não gosta de mim nem a metade do que eu gosto dele. Mas pelo menos para ele eu sou a melhor em alguma coisa.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Vou morrer de saudade.

Sou um ser humano extremamente volúvel. Tenho problemas sérios de convivência e acho que dificilmente eu seria feliz casada com alguém justamente por isso. Bom, nunca convivi direto com nenhum dos meus casos amorosos, ou amigos, ou parentes que não fossem meus pais, mas coisas como pequenas viagens com eles costumam me deixar irritadíssima, após aproximadamente 3 dias. A pessoa não precisa fazer nada específico para me irritar, basta ser ela que já está me incomodando. Coisas pequenas como o jeito de falar, de rir, de se alimentar, de comer...Tudo isso pode ser motivo pra eu enjoar da pessoa (seja ela quem for: o amigo ou amiga que mais amo, uma tia, um primo, um cara por quem estou apaixonada) e ter vontade de sair correndo prum canto só meu. Me sinto o pior dos seres humanos por conta desses sentimentos, mas é algo extremamente incontrolável. Eu simplesmente fico de saco cheio rapidamente e acho que só consigo conviver com a minha mãe ainda, primeiro porque ela é minha mãe e segundo, porque a gente mal se vê, mesmo morando na mesma casa.


Hoje é meu último dia de trabalho. Estou aqui há mais de 1 ano e meio e apesar de estar extremamente triste com a separação, já me vejo no mesmo estado de saturação que costumo me encontrar quando na convivência de pessoas. É claro que algumas pessoas daqui são as responsáveis por este cansaço. Convivência é difícil em qualquer lugar, seja em casa ou no trabalho, mas a verdade é que nunca me senti tão à vontade em um ambiente profissional como me senti neste lugar. Tirando algumas coisas chatas que todo trabalho tem, trabalhar aqui é muito tranquilo, e a grande maioria das pessoas são maravilhosas. Aliás, uma das pessoas com a qual não suporto mais conviver aqui, também é maravilhosa, o que me faz ter quase certeza de que a culpa do meu saco estar transbordando é toda minha.
Fico pensando que para cada coisa com a qual temos de conviver na vida (sejam elas pessoas ou instituições) Deus nos dá um saquinho. Esse saquinho vai enchendo com o passar do tempo, mas o tamanho dele deve ser exatamente correspondente ao tempo que você precisa manter tal convivência. Este esqueminha, apesar de infantil e besta representa justamente o que estou sentindo agora. Gostaria muito de continuar por bastante tempo aqui, e essa possibilidade realmente exisitia no início. Se fosse para me manter aqui mais cinco meses, tenho certeza que estaria supersatisfeita e as coisas que me parecem tão insuportáveis agora seriam no máximo incomodos facilmente toleráveis. Acontece que sei que meu tempo aqui passou e tudo que antes era prazeroso já não tem mais graça e, portanto, não sou mais obrigada a aturar certas coisas, porque isso já não me diz mais respeito.

Foi eterno enquanto durou. Tenho certeza que vou morrer de saudade, mas acabou!

terça-feira, 2 de março de 2010

Eu só quero Sossego!

Ultimamente só tenho aparecido por aqui quando sou tomada por uma forte angústia. Hoje é exatamente isso que estou sentindo e não sei nem se tenho algo de relevante pra escrever, mas achei que não custava nada tentar a terapia.
O fato é que estou passando por uma fase extremamente difícil em todos as esferas da minha vida, a começar pela amorosa. Apesar de achar que não posso reclamar, uma vez que ela nunca esteve tão agitada, é claro que não estou satisfeita (meu Deus, será que um dia isso vai acontecer?). Isso porque resolvi me envolver com uma pessoa extremamente relapsa em relação a tudo e a todos, ou seja, jamais me procura, mesmo estando interessado. Você deve estar pensando, "bem, se ele realmente estivesse interessado, ele te procuraria", mas não é assim que a banda toca tratando-se dele. Mas é claro que apesar de conhecer muito bem a natureza peculiar dessa figura, me sinto extremamente insegura e quase morro do coração a cada e-mail enviado e não respondido, a cada dia que ficamos sem nos comunicar, a cada semana que passa sem que eu consiga vê-lo, a cada vez que penso que assim como eu tenho meus lances paralelos, ele também (muito provavelmente) tem os dele.Isso me mata.
Eu tive um final de semana maravilhoso, regado a muito álcool, amigos, e extremas demonstrações de afeto que me fizeram esquecer um puco dessa história, mas como a vida não é perfeita, a segunda-feira chegou e acabou como todo o humor que eu havia resgatado no último sábado. Aqui no trabalho a coisa está feia. Estou prestes a ficar desempregada e mesmo sabendo que isso seria péssimo para a minha saúde financeira (e da minha família) eu estava me sentindo aliviada por saber que finalmente teria férias e me livraria deste ambiente opressor (ai que drama). Estava aqui hoje, só enrolando e fazendo hora pro fim deste ciclo de 5 meses, quando recebo a ligação da minha chefe dizendo que não precisarei esperar nem um dia pra começar em um novo estágio. A notícia que era pra ter sido uma das mais felizes da semana, caiu como uma bomba no meu colo, afinal, eu já tinha planejado guardar um dinheirinho, agitar a minha monografia, fazer uns concursos, uns bicos, e finalmente me formar. Tudo isso com muita calma, tempo e tranquilidade...
O que mais me deixa irritada é saber que não tenho escolha, que não posso me dar ao luxo de recusar um trabalho, simplesmente porque vivo nesse mundo capitalista selvagem onde somos todos escravos do dinheiro. O engraçado disso tudo é que o que me convence a trabalhar é minha vontade de ser livre, de sair da barra da saia da minha mãe, de conhecer o mundo, de aprender línguas, de adquirir conhecimento, de conhecer cada vez mais gente interessante, de me divertir sem peso na consciência. Mas como? Como, se pra tudo isso a vida me pede um pedágio, se pra tudo isso eu preciso juntar dinheiro, preciso me desgastar, aturar gente chata, ficar horas presa numa sala, acordar cedo, ficar horas dentro de um ônibus e ainda mostrar eficiência e resultados??? Meu Deus, não quero isso pra mim!!! Hoje estou extremamente com raiva da pessoa que inventou o trabalho. Sei que isso é passageiro, pois já fui muito feliz trabalhando exatamente neste computador em que estou escrevendo agora, e que, apesar de tudo, trabalhar também pode ser muito bom e gratificante... Mas hoje, especialmente hoje, eu quero que isso tudo aqui vá pra putaquepariu! Hoje eu estou igual ao Tim Maia, eu só quero sossego!!!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Meu maior prazer (Parte 3)

Por conta de complicações no transito, acabei chegando na estação do maracanã já um tanto atrasada, quase meia hora depois.Os vagões já estavam supervazios, como se não fosse nem dia de jogo. É claro. A torcida do fuderosão que assistiria o jogo no maior estádio do Brasil já se concentrava toda lá dentro. Eu era uma atrasada, que nem ao maraca iria, mas que estava gostando de perder o iniciozinho da partida, porque pra mim este é o momento mais neurótico de se enfrentar.
Giovanna estava exatamente no local em que marcamos, já preocupada com a minha demora. Tratamos de descer a rampa rapidamente, mas fomos abordadas por um policial que quis ver o que tinha dentro da minha mochila. "E olha que nem vamos entrar no Maracanã!", eu falei pra Gi!
Os arredores do estádio já estavam vazios, mas ainda havia alguns retardatários correndo para ver o início da partida lá dentro. Eu e minha comparça, andavamos tranquilamente em direção à 28 de Setembro, mas com uma certa invejinha daquelas pessoas que corriam para entrar no estádio. Eis que quando íamos atravessar a rua, surgem duas figuras conhecidas nossas: Negão e Markito, dois rubro-negros com alma de malandro da nossa amada faculdade. Eles estavam nas proximidades desde cedo, em busca de ingressos, mas assim como nós duas, não tinham tido coragem de dar 200 contos na entrada.Falamos pra eles que estávamos ali só pra ficar perto do burburinho e que íamos procurar um bar pra assistir a peleja, tentando convence-los a irem conosco. Meio à contragosto eles concordaram, mas antes pediram para que fossemos com até o portão 15, onde um ingresso aguardava um amigo sortudo que estava com eles. Topamos.
No meio do caminho fomos abordados por alguns cambistas e tentamos negociar com eles. Na verdade meus amigos tentaram, porque eu só tinha 20 pilas no bolso.Os cambistas foram duros e não fariam por menos de 150 contos. Negão, como bom pé de cana que é, disse que amava muito o Flamengo mas que com aquele dinheiro beberia até a manhã do dia seguinte. Eu concordei. Foi quando um dos cambistas perguntou quanto estávamos dispostos a pagar e Giovanna falou sem nenhuma pena daquele único galo que tinha no seu bolso: 5O REAIS!O sujeito, que era tão flamenguista quanto a gente, àquela altura queria mesmo era se livrar daqueles ingressos pra poder entrar no maraca. Especulação daqui, blablablá dali, ele arrumou 4 cadeiras azuis pra gente por um total de 240 reais. Eu e Gi pagaríamos 1 galo cada e os rapazes 70 contos. O cambista estava nervoso e falou que era pra decidirmos logo porque ele queria entrar.Nesse momento o jogo começava e os fogos explodiam dentro do maracanã, atrapalhando a comunicação entre todos nós. Cedemos! Pendurei na conta do Negão 30 reais ainda desconfiada da validade daqueles ingressos. "Se forem falsos vou ficar muito puto", exclamou Negão, pensando a mesma coisa que eu.
Não dava mais tempo de pensar. O destino nos tinha colocado ali, frente a frente naquele momento, e nos dizia que era pra gente assistir aquele espetáculo. Enquanto corríamos em direção à entrada acontecia dentro de mim uma explosão de sentimentos.Uma mistura de emoção com incredulidade e medo. "Senhor, será que eu não vou dar azar? Será que é mesmo pra eu estar lá dentro?Eu havia dito que só iria ao maraca se um ingresso caísse no meu colo e ele caiu!Acho que devo aproveitar! Não, não vou amarelar, afinal 'o rubro-negro não tem medo de morrer'. E além do mais, estava tudo okey. Eu estava com a calcinha da sorte, o tênis bicampeão carioca e a fé em São Judas Tadeu. Haveria de dar tudo certo". Entramos.

Ao passar da roleta eu não podia acreditar no que me acontecia! Meu Deus, eu estava dentro do Maracanã no jogo mais importante da história do Flamengo nos últimos 17 anos. E também estava no jogo mais importante da minha história com o Flamengo. Eu e meus colegas começamos a gritar de felicidade como uns loucos, ainda sem muita noção do que estáva nos acontecendo. Começamos a correr em busca de um lugar e acabamos parando bem atrás do gol do Grêmio naquele tempo, que seria o nosso gol, no segundo. Por conta da minha estatura eu não conseguia enxergar quase nada do que acontecia em campo, mas a vista do Maracanã repleto de rubro-negros apaixonados fez com que uma lágrima corresse dos meus olhos. Num momento um pessimismo forte me bateu, mas logo eu pensei que se Deus tinha me colocado ali era porque algo de muito bom me esperava.

O jogo não estava bom pra gente e a torcida se revoltava. Logo me dei conta de que não tardaria para tomarmos um gol e foi o que aconteceu. Mais uma vez um pensamento derrotista me passou pela mente por alguns segundos. Mas, rapidamente me lembrei da máxima que diz que pra gente tudo tem que ser no perrengue. Aquele gol, era na verdade uma coisa ótima que nos tinha acontecido, pois só assim o time acordaria. Olhei pro céu e disse pra São Judas Tadeu: "Eu ainda tenho fé no senhor!" Eu sabia que ele estava me provando. O gol não demoraria a sair, pois o time agora estava correndo atrás. Pela primeira vez saquei minha camisa rubro-negra velha de guerra da mochila e vesti como se fosse uma farda, como costumo fazer quando o Fla está perdendo. Nessa hora o Markito falou: Agora vai! Não demorou muito pro gol sair. Todos juntos explodimos de alegria. A vitória viria certamente.

O mais "engraçado" era que os resultados dos outros jogos tiravam o título da gente naquele momento. No entanto eu só conseguia pensar que os colorados deviam estar muito felizes, já comemorando o título, mas que a alegria deles duraria muito pouco. O gol estava demorando a sair mas eu e todas as pessoas ao meu redor, apesar do medo, tínhamos a certeza absoluta de que mais cedo ou mais tarde ia acontecer.O Inter era campeão naquela hora, mas bastava o Fla fazer só um golzinho pra alegria deles ir por água à baixo. Diferentemente do esperado o Grêmio não entregou o jogo e o caminho das pedras se mostrava cada vez mais pedregoso.Mesmo assim, ninguém desacreditou.
Quando o telão da Suderj começou a informar o número de pagantes, me bateu um desespero, afinal isso só acontece quando o jogo está no final! "Senhor! Não é possível que esse jogo tenha passado tão rápido! Um gol, meu Deus, só um gol!", eu pensava. Nessa hora eu já conseguia enxergar tudo o que acontecia em campo, pois fui empurrada bem pra frente da mureta... Gooooool!Ele saiu bem na minha frente! Foi um extase! Eu não conseguia gritar! Pulava sem acreditar no que meus olho viam! Era ao mesmo tempo um alívio e uma sensação de que ainda não tínhamos ganhado nada!A torcida explodia num espetáculo estético de dar inveja ao artista mais talentoso. Aqueles últimos minutos até o fim do jogo, foram os mais longos da minha existência. Não podíamos tomar um gol de jeito nenhum, o ideal era marcarmos outro, o título estava nas nossas mãos. Meu coração quase saía pela boca. Eu estava muda, estática, minhas pernas e minhas mãos estavam dormentes e tremiam. Eu clamava pelo amor de deus pra tudo acabar logo. O Grêmio insistia em atacar. Eu chorava como um bebê...

O juiz apitou! Acabou! Foi a catarse. O momento mais intenso que já vivi. Pra sempre na minha memória, o dia mais feliz da minha vida.

Saindo do Maracanã, a sensação que eu tinha era que tudo não passava de um sonho, que eu acordaria no dia seguinte ouvindo que o Inter foi campeão. Mas não era! A ficha é que ainda não tinha caído e, pra ser sincera, está caindo até agora.

SRN.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Meu maior prazer (Parte 2)

Então o dia finalmente chegou! Se fosse um domingo qualquer eu acordaria por volta das 11 da manhã, mas naquele domingo às 8 eu já estava de pé! Até aqui na longinqua Vargem Grande os fogos já estouravam frenéticos, o que só me deixava mais tensa!Até então eu não havia decido nem aonde nem com quem assistiria o jogo, fato que se tornou mais um motivo de preocupação. Pra melhorar tudo, justamente na sexta-feira anterior eu tinha esquecido meu celular no trabalho, o que dificultava muito a minha comunicação com os amigos rubro-negros que eu sabia que não estariam no maraca, uma vez que o telefone da minha casa morreu!
Levantei já tremendo na base e gritando pro meu irmão, enquanto arrumava a cama: "Estou com medooo!Ai que tensão, Bê! Hoje eu vou morrer! Eu vou morrer!!!!!". Depois de um rápido café da manhã, tratei logo de ligar o computador pra ver se decidia aonde assistir o jogo, mas naquele o horário o MSN ainda estava deserto. Por mim eu iria à Arena HSBC, já que lá é perto da minha casa e ia rolar um telão bolado, mas provavelmente não ia rolar cia pra lá. Tinha também a opção de assistir nos arredores da Gávea, pois se o Fla vencesse eu já estaria perto da festa. Existia ainda a possibilidade de ir pras bandas da Tijuca e pegar a galera que saía do Maraca, mas essa opção era a menos provável porque seria muita mão de obra pra mim! A única coisa que eu não queria dessa vez era me isolar como fiz em todos os outros jogos do Brasileirão!Sofreria bem menos se não assistisse nada, mas eu não tenho todo esse sangue de barata e somente uma multidão, tão flamenguista quanto eu seria capaz de amenizar o meu nervoso.

Depois de muito pensar e ponderar, decidi que iria pros arredores do maraca com Giovanna, uma amiga da faculdade. Nós duas estávamos com o c* na mão (afinal era muito provável que lá praquelas bandas tudo estivesse um caos, ainda mais para duas moças indefezas) mas ambas estavam formigando de nervoso e vontade de ferver depois o jogo caso a vitória se concretizasse.Combinamos então, via msn, que nos encontraríamos nas roletas da estação do metrô do maracanã, às 16:30 e dali partiríamos pra 28 de Setembro em busca de um bar pra assistirmos o jogo.Alguns minutos depois tentei dissuadi-la da ideia para irmos pra Cobal do Leblon, mas ela "bateu o pé" e eu acatei. Foi Deus!

Decisão tomada, comecei meu ritual: Tomei banho, vesti minha calcinha preta de corações vermelhos, invicta no Maraca. Tirei do armário uma blusa preta de alcinha, porque assim costumo me vestir quando vou aos jogos do Mengão. Peguei minha camisa modelo 1992, que ganhei justamente nessa época e sem a qual nunca me vi no Maracanã, e coloquei-a na minha mochila Kipling vermelha que também dá muita sorte. Calcei meu AllStar vermelho de cadarços pretos, bicampeão carioca no Maraca em 2008, e tirei da carteira meu santinho de São Judas Tadeu (todo velhinho, desbotado e despedaçado de tanto que eu o amasso durante os jogos)e pus dentro da mochila. Coloquei no pescoço um escapulário de Santo Antônio, porque além de dar sorte e combinar com minha vestimenta rubro-negra, Santo Antônio é o santo de devoção do Velho Lobo Zagallo. Achei que seria digno. Tudo ok, parti pra parte principal: Me ajoelhei perante à minha imagem nova de São Judas Tadeu e comecei a rezar com muita fé! Além disso, fiz diversas promessas pro pobre do Santo e disse que diferentemente das vezes anteriores, dessa vez eu não iria decepcioná-lo.

Pronto! Agora estava tudo certo e eu podia sair de casa tranquila! Tensa eu ainda estava, porém confiante! Antes de sair almocei com a minha mãe e desabafei minha tensão com ela. Como boa vascaína recalcada e mulher que não liga pra futebol que é, ela fez pouco caso do meu nervosismo e disse que aquilo tudo era ridículo. Eu disse pra ela que aquele era o dia mais importante da minha vida e ela tripudiou dizendo que o dia mais importante da minha vida devia ser a minha formatura ou o nascimento do meu irmão...Resumindo: ela não entende nada!Apesar disso, fiz questão de sair de casa com a sua benção e ela me fez prometer que eu não tentaria comprar ingresso pro jogo! Eu prometi porque realmente não tinha mais essa intenção. Já estava conformada e naquela altura do campeonato seria impossível. Além disso, saí com 20 reais no bolso, porque não deu tempo de passar no caixa eletrônico. Eu não contava, no entanto, com as surpresas do destino...

Continua.